Eu Vivi Os Anos 80

Anos 80. Ah… anos 80. Minha infância foi vivida completamente nos anos 80, então minhas mais doces (e nem tão doces assim) lembranças são dos anos 80.

Meu pai me levou para assistir a todos os filmes dos Trapalhões. E também a todas as peças de teatro que a escola indicava (mandavam aquele papelzinho de divulgação e desconto, lembram?). Me levou ao parquinho inúmeras vezes. Era nosso momento a sós. Eu achava o máximo ter o pai só pra mim! Hoje, entendo que era pra minha mãe poder cuidar da casa, ou do meu irmão caçula. Mas isso não tira o encanto desses momentos tão lindos.

Eu vi o primeiro Xou da Xuxa. E me apaixonei por aquela loira meio atrapalhada. E, como a grande maioria das meninas da minha idade, sonhava em ser Paquita.  Um dia a loira veio fazer um show na minha cidade. Meus pais não puderam me levar. Eu chorei. Mas passou, tudo bem.

Comecei na minha escola nova, uma unidade do SESI. Um mundo completamente novo pra mim. Eu, que vinha de uma escola infantil onde todo mundo se conhecia tão bem, me vi num lugar imenso e me senti perdida. Lembro que, no primeiro dia de aula, minha mãe entrou comigo. Mas logo tive que ficar sozinha e me virar. Mas eu sobrevivi.

Nessa mesma escola, conheci uma grande amiga, que é uma das minhas melhores amigas até hoje! Nós nos detestávamos, e depois nos conhecemos melhor e passamos a nos amar. Esse foi um dos grandes presentes que o SESI me deu.

Mas eu também vivi momentos tristes. Sofri bullying. Foi pesado, foi intenso, foi doloroso. Esse nome nem existia ainda, era apenas “eles pegam no meu pé” ou “eles não vão com a minha cara”. Ainda bem que tenho pais que me dão todo apoio, e minha mãe me orientou da melhor forma possível para passar por essa fase. Aliás, a vida é toda cheia de fases, e se pararmos no primeiro empecilho, onde vamos chegar?

Nos anos 80 eu fiz aulas de ballet. E também de karatê. E eu morria de medo do professor de karatê. Mas ele nos levou para fazer uma apresentação na televisão, mais precisamente na Gazeta. E eu me tornei (naquela época) a pessoa mais “famosa” do pedaço…rs.

Eu usei calça cintura alta. E saia balonê. E vestido trapézio. Eu tive o cabelo liso e reto até quase a cintura. E cortei todo repicado. E fiz permanente.

Participei de muitos bailinhos de garagem. Tive um amigo que era meu “coringa” (e eu o dele) no caso de algum par indesejado. Dancei uma quantidade de músicas lentas que jamais seria possível contar. Dei fora. Levei fora.

Vi a queda do Muro de Berlim. Não entendi muito bem o que estava acontecendo. Vi o movimento de Diretas Já. E a eleição de Tancredo Neves. E a televisão mostrava, incessantemente, sua internação e, em seguida, seu falecimento.

Vi a inflação subir. Os preços serem remarcados diariamente. Minha mãe corria ao mercado assim que meu pai recebia, porque no dia seguinte os preços já estariam mais altos. Vi as filas nas padarias para conseguir leite, e filas nos postos para abastecer.

Ouvi os grandes sucessos da época: Bon Jovi (que amo até hoje), Michael Jackson (e o sucesso do álbum Thriller), RPM, Engenheiros do Havaí, Guns N´Roses, U2, INXS e minha amada Legião Urbana (entre outros). Tenho uma memória sensorial muito aguçada, e muitos dos sucessos da época de relembram fatos marcantes, e me deixam muito saudosa.

Assisti, no cinema, ao filme “E.T., o Extra Terrestre”. Tive medo.

Sei que ficou uma coisa muito pessoal, mas as minhas primeiras lembranças de vida são dos anos 80. E aposto que muitos de vocês acabaram lembrando de coisas acontecidas nos anos 80 também.

Anos 80, muito obrigada por terem sido tão incríveis!

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