Heley de Abreu – Pessoa do Ano

Quando você fala da pessoa que mais se destacou e, principalmente, mais deve ser respeitada no ano que passou, você nunca pensa em uma professora do interior de Minas Gerais.

Heley de Abreu Silva Batista nasceu a 12 de agosto de 1974, e viveu 43 anos, entre Montes Claros e Janaúba, em Minas Gerais. Tendo estudado contabilidade, acabou virando professora, como muitas em sua família. Estudou pedagogia.

Gostava tanto de crianças que teve quatro. Uma infelizmente se afogou. A mais nova tinha cerca de um ano quando perdeu a mãe.

O vigia Damião Soares dos Santos decidiu se matar e, em uma atitude completamente idiota, ateou fogo a si mesmo e nos alunos do Centro de Educação Infantil Gente Inocente. Heley, então, tentou salvar as crianças.

Tendo lutado por anos, inclusive se especializando na área, pela inclusão, criava métodos de interação. Naquele fogo, sua luta foi a inversa: não quis deixar ninguém dentro. Entrou em luta corporal com o vigia, tentando impedi-lo.

Faleceu com mais de 90% do corpo queimado. Mas salvou algumas das crianças.

E o que tiramos do que aconteceu com Heley de Abreu?

É muito fácil cair no clichê de dizer que o brasileiro não liga para o outro, que somos insensíveis… mas, na verdade, somos o contrário disso. Ninguém ousa chamar Heley de louca, mas sim aplaude o que ela fez, mesmo não sendo completamente suficiente. Todos podem entender. E, diante da situação, quem não faria igual?

Heley é uma pessoa louvável porque representa o nosso instinto de não permitir que o outro sofra, principalmente alguém que não tem tanta chance. Brasileiro gosta da zebra, dizem, pela injustiça implicada, mas fato é que sonhamos por mais igualdade, mais oportunidade. O que Heley fez foi, literalmente, lutar por isso. Não só no fogo, mas por toda sua vida, daí sua especialização na educação.

É uma pessoa e tanto. Que seu ato nunca se perca no tempo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *