Homem-Aranha: De Volta Ao Lar

Quando a Sony chegou perto da Marvel e disse que as empresas poderiam trabalhar juntas no Universo Cinematográfico, deu-se uma compreensão unânime do público consumidor: O Aranha parecia finalmente sair de um local qualquer de Nova York e voltaria a morar no Queens, acompanhado de sua Tia May. Em “Capitão América: Guerra Civil”, desenhou-se alguns aspectos da personalidade de Peter: Ele era um nerd que pegava eletrônicos jogados fora para consertar e usar, além de ser bem inteligente. Tony Stark (Robert Downey Jr.) revela a quem está assistindo a persona heróica do garoto de 14 anos, que numa pubescente prepotência, se denomina “Homem-Aranha”. E o acordo das empresas se firma forte: na cena onde Peter Parker (Tom Holland) conta como adquiriu os poderes, é quase como se o público estivesse no teste de elenco do ator inglês.


E como ele passou no teste! O Aranha de Holland é uma mistura de origens do personagem quando foi criado por Stan Lee e Jack Kirby com o Cabeça-de-Teia no universo Ultimate, o que remete e atualiza o heroi. E se o conceito lhe faz bem, a forma que o filme foi trabalhado segue o mesmo caminho. Ao invés de adicionar informações que deem andamento à trama do MCU, o filme simplesmente expande-as, com a ajuda de Adrian Toomes (Michael Keaton). Toomes inicia o filme como um paralelo de Peter: Ele também usufrui do entulho e do lixo, mas de forma profissional. Ao trabalhar no recolhimento do entulho da Batalha de Nova York (aquela mesma do primeiro “Os Vingadores”), Toomes dá de cara com materiais que ele nunca tinha visto. Porém, como os eventos envolveram alienígenas, o governo vem atrás de tudo e, para não perder seu achado, o empresário omite uma caminhonete com algumas peças dos Chitauris, as quais ele utiliza para construir uma série de armas e materiais para vender a criminosos. Para si mesmo, Toomes constrói uma armadura de voo, tornando-se o vilão Abutre (embora ele não seja chamado assim durante a película).


Enquanto isto, um jovem garoto do Queens descobre ter poderes sensacionais e tenta utilizá-los para o bem, chamando a atenção de Stark. A história de Peter Parker começa com um diário empolgado relatando os fatos ocorridos em “Capitão América: Guerra Civil”, seguindo a linha de expansão dada no parágrafo anterior. Porém, ao contrário da introdução de Toomes, aqui é o ponto de partida da evolução não apenas do Escalador de Paredes, mas também do garoto sob a máscara. “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” traz a todos o processo de compreensão de novos tempos, onde o garoto torna-se adolescente enquanto também torna-se heroi. Além disso, as intervenções de Tony Stark remetem claramente ao seu próprio processo de amadurecimento, ao dizer a Peter que ser heroi é bem mais que usar uniforme e fazer peripécias inacreditáveis.

E isso faz o público concluir que a melhor coisa que poderia ter ocorrido com o Amigão da Vizinhança foi o alinhamento de suas duas donas. O retorno ao Lar referenciado no título, derivado de uma série lançada nos quadrinhos, ganha tons e cores de Filho Pródigo, quase que um abraço cheio de saudade. A Marvel Studios fez questão de trazer até o Tema do personagem, que toca retumbantemente durante sua logo. E o filme que vem depois dela tem toda a cara de uma obra feita com carinho e amor para os fãs que há muito esperavam uma tradução tão boa dos quadrinhos para a tela.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *