Liga da Justiça

A Warner e a DC estavam numa corrida alucinante e estabanada. Atrasada para aproveitar a onda surfada pela concorrência, a empresa redefiniu seus filmes que estavam por sair.

“Homem de Aço”
deixou de ser só um reboot do Superman nas telonas e passou a ser a pedra fundamental daquilo que
seria chamado de “Universo Estendido da DC”. Nesse meio-tempo, vimos uma aceleração repentina
tomando uma freada absurda chamada “Batman V Superman: A Origem da Justiça”, onde literalmente
matou-se todo o conceito estabelecido até então para introduzir novas cartas no jogo. Como qualquer
mudança repentina causa uma catástrofe, tivemos “Esquadrão Suicida”. Uma ferida aberta nos
decenautas que vai demorar a cicatrizar. E o retorno ao jogo, com o ótimo filme da Mulher-Maravilha.

Como já dito neste espaço, receava que o filme da Liga da Justiça cambasse para uma falha crítica. O
filme ainda precisava introduzir Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher),
além de dar prosseguimento ao arco da morte do Superman (Henry Cavill) e de como Batman (Ben
Affleck) e Mulher Maravilha (Gal Gadot) lidariam com um planeta inteiro que tinha perdido seu Messias.
Bruce Wayne e Diana Prince ainda teriam que se preparar para futuras ameaças vindas de fora, visto
que a Terra desprotegida aparentemente tornou-se notícia no universo inteiro. Os fãs já tinham captado
que em breve Darkseid surgiria na franquia (até para fazer frente à Guerra Infinita que se avizinha na
concorrência), o que tornaria tudo ainda mais complicado. Apokolips poderia eclipsar os objetivos do
Estúdio da Caixa d’Água facilmente, e as notícias de que muitos dos próximos filmes não teriam
compromisso com a continuidade atual, tornando a espera pelo Grand Slam da DC uma dor terrível.

Mas a espera valeu muito a pena. E a crescente das expectativas iniciadas no filme da Mulher Maravilha
agora aumentaram ainda mais: “Liga da Justiça” não apenas lida com os desafios enumerados, mas se
desempenha muito bem. Enquanto o filme da Guerreira Amazona mostra uma Semideusa entendendo o
que é e por que vale a pena ser humano, aqui temos, pela primeira vez no UEDC, um filme de
Super-Heróis. E é um alívio ver o nível de brilhantismo. O filme abandona completamente toda a
tentativa de reencenar o sucesso do Batman de Christopher Nolan, focando no que temos. O filme é bem
mais colorido, bem mais interessante e até as piadas tornam-se orgânicas por respeitar seus próprios
tempos. A dinâmica em geral lembra muito a Liga da Justiça das séries animadas de Bruce Timm, o que
traz salpicos de nostalgia. A trilha sonora também não ignora a trajetória dos personagens nos cinemas,
dando espaço até para os temas clássicos, que aparecem em pinceladas e atingem certeiramente no
alvo.

Muito se falou pela internet a respeito do Lobo da Estepe (Ciarán Hinds), por ele ser um vilão com um
desempenho bem aquém do que o resto do filme entrega. Não há erro de julgamento aqui: desde o
material de origem, o Líder dos Parademônios é um conquistador de frente nos planos do seu sobrinho
Darkseid, tornando-o um supervilão introdutório que só serve mesmo como elemento de roteiro. Como
todo o resto do filme se apresenta em grande destaque, o desempenho do autoproclamado “Fim dos
Mundos” parece bem pífio aos olhos de todos. Mas se a Casa das Idéias cansou de fazer isso, por que
não a Distinta Concorrência? Então é possível concluir que a DC Films parece ter finalmente entendido
do que se trata a sua linguagem. “Liga da Justiça” tornou-se mais um imenso acerto, e que nos faz torcer
apaixonadamente para que a empresa esqueça de uma vez por todas seu medo em retratar super-heróis
nos cinemas.

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