“Maioneseworld”

A recente aquisição do selo Millarworld, do quadrinista Mark Millar (O Procurado, Kick-ass, Kingsman, entre outros) pela Netflix pegou muita gente de surpresa. Você pode apostar que são centenas de pensamentos nas cabeças dos fãs, a respeito das novas possibilidades sobre levar as obras do escritor escocês para uma nova mídia. Mas vamos deixar uma coisa bem clara logo de início: alguns títulos como Kick-Ass, Kingsman e War Heroes não fazem parte do pacote pois seus direitos cinematográficos já pertencem a outros estúdios.

    Entretanto, o caso de War Heroes parece ser bem mais complicado, pois a HQ de 2008 foi suspensa por tempo indeterminado após a terceira edição e até agora não há a menor indicação de que será retomada. Inclusive, os direitos da mesma já teriam transitado por alguns estúdios, como Universal e Columbia Pictures, mas nada realmente confirmado sobre o atual status a esse respeito.

    Além destas já citadas, ainda existem aquelas publicadas por outros selos, como Superior, Nemesis, Supercrooks e Empress (as quatro pelo selo Icon, da Marvel); Wanted, American Jesus (ambas pela Top Cow), War Heroes, Jupiter’s Legacy, Jupiter’s Circle, Chrononauts, Reborn, Starlight, Huck e MPH (as oito pela Image), sendo que Jupiter’s Legacy deverá ter sua conclusão na terceira parte, Jupiter’s Requiem, agendada para 2019 (ai…).

    Ainda não ficou muito claro sobre a real situação a respeito destes títulos, mas acredito ser um tanto quanto óbvio que a Netflix não investiria em tal aquisição se pudesse contar apenas com poucos títulos. Assim como os ilustradores fizeram parte das negociações, segundo o próprio Rafael Albuquerque (Huck), é de se esperar que qualquer imbróglio acerca da publicação por outras editoras já tenha sido devidamente resolvido.

    Há entretanto uma ironia nisso tudo: a notícia sobre a aquisição do Millarworld veio logo após uma série de boatos a respeito de uma matéria errônea sobre uma suposta dívida bilionária da Netflix na casa de dois dígitos. Isso lançou no ar várias dúvidas a respeito da longevidade do serviço de streaming, ainda mais se levarmos em consideração que a concorrência só tende a aumentar e um grande número de títulos no catálogo não significa necessariamente qualidade ou que vá ter um retorno adequado em audiência, como nos casos de Sense 8 e Marco Polo.

    Portanto, para se firmar ainda mais e ao mesmo tempo expandir, faz-se necessário não apenas a aquisição de novas idéias, mas também de pessoal altamente capacitado para realizar as adaptações e produções de maneira no mínimo satisfatória. Eu me lembro de ter lido um comentário internet afora que dizia mais ou menos que “a Netflix ainda está procurando o seu Game of Thrones”. Pessoalmente, acredito que ela possa ter encontrado o seu “Game of Thrones” e o seu “Star Wars”. Calma, não estou afirmando que serão exatamente isso, óbvio. Estou dizendo que, guardadas as devidas proporções e diferenças evidentes,  com Empress ela pode desenvolver um épico espacial e com Jupiter’s Legacy, ela pode desenvolver o seu maior épico.

    Agora que já nos situamos, meu nobre público, vamos à diversão: especular, imaginar, viajar na maionese mesmo. O que será que funcionaria como série e o que funcionaria como filme na Netflix? Ou ainda: o que é que funcionaria melhor em série ou filme? Não vou falar de todas, pois isso tomaria muito tempo, o texto ficaria muito longo e faltaria maionese para tanta viagem. Mas vou citar as mais “fresquinhas” na minha memória e algumas interessantes ou marcantes.

    Comecemos por Chrononauts: Isto aqui daria uma série muito louca. Imaginem só os protagonistas viajando no tempo e se envolvendo em altas confusões com uma galera da pesada (alô Sessão da Tarde) numa mistura de Doctor Who com De Volta Para o Futuro. Talvez funcionasse até como animação. Basta encontrar uma equipe de produção cheia de imaginação para brincar com vários períodos da história e quem sabe ir além do que foi abordado nos quadrinhos, indo audaciosamente onde nenhum crononauta jamais esteve, se é que vocês me entendem.

    Starlight por sua vez é considerada uma carta de amor do Mark Millar aos gêneros pulp, no caso homenageando Flash Gordon. Aqui eu imagino a mini série sendo adaptada como um filme e o passado do personagem sendo explorado simultaneamente ou posteriormente numa série.

    A minha mente fica confusa ao pensar em Supercrooks. Temos aqui uma versão DC/Marvel de Onze homens e um segredo. Na mini principal, foi apenas um golpe realizado pelo grupo. Funcionaria como filme? Sim, claro. E com direito a pelo menos uma ou duas sequências. Funcionaria como série? Também. Mas uma história de assalto, ainda mais com meta humanos , correria o risco de ficar muito corrida num filme ou muito arrastada numa série. Inclusive, uma eventual série correria outro risco: o de ficar monótona a partir de uma terceira temporada, pois haja imaginação para criar situações e novos golpes.

    Agora uma de minhas favoritas: Empress. A saga de Emporia e seus filhos, fugindo do “marido malvadão” que é “só” o ditador da galáxia. E no final da mini, houve uma bela surpresa, deixando um gancho interessante para uma continuação onde há de ser explorado o passado de um personagem um tanto quanto enigmático. Como série, eu acho que ficaria arrastada. Empress é uma história bem dinâmica e enrolar em alguns episódios minaria a essência da mesma. E se realmente acontecer da Netflix seguir com seu plano de lançar filmes simultaneamente nas telonas e em streaming, Empress poderia se beneficiar da dupla exposição.

    E finalmente, Jupiter’s Legacy. Ah, Jupiter…Olha, essa aqui vai ser complicada de reproduzir a qualidade.  Tudo porque o ilustrador Frank Quitely, apesar de ter atrasado demais a série, fez valer a pena uma boa parte da espera. E existe uma série paralela, Jupiter’s Circle, que foca nos personagens seniores, alguns como pais dos focados em Legacy. Esta eu não arrisco palpite por enquanto. Prefiro aguardar a conclusão da saga em 2019, mas isso se o Quitely já tiver desenhado pelo menos metade das edições. Teria sido melhor o Millar arrumar outro artista para ilustras a história, mas isso significaria envolver mais uma pessoa num projeto autoral da série principal. Considerando isso e que a continuação Jupiter’s Requiem está agendada para 2019, é certo que Frank Quitely continua à frente da arte. E assim, não há garantia alguma de que a série tenha a sua conclusão ainda em 2019 ou 2020 ou nem 2021.

    Então fica a pergunta: A Netflix esperaria o final da série em quadrinhos? Provavelmente sim. Ou seria praticamente obrigada a isso, já que uma série ou filme que envolve “tretas malignas” entre seres super poderosos levaria um certo tempo para produzir corretamente. Até lá, a empresa já teria explorado outros títulos. Mas novamente, reitero que tudo isso vai depender de uma boa equipe de produção. Aliás, várias equipes. E as boas equipes serão montadas e mantidas com um bom investimento, que por sua vez deve depender da performance atual da plataforma, que vem sofrendo um pouco com muita coisa no catálogo que não se traduz necessariamente em qualidade.

    E vocês? O que acham? Será que a Netflix criará um universo compartilhado com determinados títulos como a Marvel ou os explorará individualmente? O que vocês gostariam de ver como filme e o que gostariam que fosse produzido como série ou mesmo anime? Podem viajar na maionese e compartilhem suas idéias aí nos comentários.

    Obrigado pela paciência, pela atenção, um grande abraço e até a próxima!

P.S.> Alô, Hellman’s! Não rola um patrocínio pra gente?

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