Mary Poppins está de volta

Parecia que nunca ia acontecer, mas Mary Poppins está de volta.

Para situar: a série de livros de Mary Poppins foi escrita por P.L.Travers, e a autora fez jogo duríssimo com Walt Disney para ceder os direitos para o filme que Disney tanto queria fazer. Ela não queria só que a personagem fosse respeitada, como acompanhou todo o processo de roteiro, composição das canções e tudo mais, até que sentiu-se moderadamente satisfeita. Isso é colocado no filme Walt Disney no mundo de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), com Tom Hanks e Emma Thompson.

Mas o instinto de Walt Disney acertou: Mary Poppins ganhou vários Oscar e concorreu a outros. A atriz principal, Julie Andrews, ganhou de Melhor Atriz, sendo ela uma aposta de Disney à qual Travers era desgostosa.

Se você nunca assistiu o filme original, não se prive disso. Mary Poppins é um filme completo no que promete: diversão para toda a família. Para as crianças, uma viagem que pode ser imaginativa ou mágica. Para os adultos, uma compreensão dos dois lados da existência temporal humana. Se houver uma criança perto de você, apresente o filme a ela e embarque junto. Permita-se.

O problema é que Travers… lembra aquele “moderadamente satisfeita”? Pois bem, aquilo não foi o suficiente para que ela permitisse mais filmes. Travers escreveu oito livros sobre o trabalho de Poppins com a família Banks, mas disse que Walt Disney e os demais que trabalharam no filme foram terríveis, então só autorizou uma peça musical se ninguém do filme estivesse envolvido.

Porém, o tempo passa, Travers faleceu em 1996, e as negociações mudaram, até chegarmos em 2018 e termos O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns). Claro que, com a questão do tempo, Julie Andrews não pode mais interpretar a personagem (e não apelaram pra computação, ainda bem), então Emily Blunt assumiu o papel. Há diferença, sim, mas sem perder a excelência.

Aliás, excelência é como se pode falar deste filme.

Tudo que eu falei sobre o filme original pode ser dito sobre este aqui. A mesma viagem imaginativa e mágica, os mesmos aprendizados adultos sobre a vida. E digo isso com tranquilidade porque este filme é uma sequência que faz homenagem ao original. Se antes tínhamos pai e mãe precisando entender melhor as coisas, agora são irmão e irmã. Se antes tínhamos um tio cujo riso fazia flutuar, agora temos uma prima que deixa tudo de cabeça pra baixo. Se antes tínhamos Bert, o limpador de chaminés, agora temos Jack, o acendedor/apagador de lampiões.

E quando você pensa que o filme não vai pegar em todos os seus sentimentos, vem a música sobre as pessoas das quais sentimos falta… e você sente umas lágrimas nas bochechas e xinga o filme por um instantinho.

Não há lógica, há sentimento. E mágica.

Sempre a mágica!

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