O desafio de Mulher-Maravilha

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Como já vimos em “Batman v Superman” e “Esquadrão Suicida”, os filmes do Universo Extendido da DC foram um desastre. Desacreditadas, a Warner e a DC Films estavam levando uma surra da Marvel Studios. E com Gal Gadot dando cara à amazona de Themyscira no filme que Henry Cavill (Superman) e Ben Affleck (Batman) sofriam com os golpes fortíssimos do próprio roteiro, iniciou-se uma preocupação do que viria no filme da filha de Hypolita.

Patty Jenkins, famosa por “Monster – Desejo Assassino”, encarou o desafio de mostrar a origem de Diana Prince, uma semideusa grega que deseja desde a infância ser uma guerreira para defender os habitantes do planeta Terra contra o Deus Grego da Guerra, Ares. Essa responsabilidade, compartilhada por todas as amazonas habitantes da ilha de Themyscira, lhe é negada pela sua mãe, a Rainha Hypolita (Connie Nielsen). Mas Diana não recua e recebe às escondidas treinamento de sua tia Antíope (Robin Wright), a comandante e treinadora das amazonas.

Posteriormente, já crescida e habilidosa, Diana salva Steve Trevor (Chris Pine, o Capitão Kirk de “Star Trek”) , um espião inglês infiltrado nas forças do Kaiser Alemão em plena Primeira Guerra, que tinha sofrido um acidente aéreo e caído próximo à ilha das amazonas. Sabendo que aquela era a Guerra para acabar com todas as Guerras, Diana se candidata a ir com Trevor em direção ao front, com a intenção de acabar com Ares de uma vez por todas.

Nesse cenário que vemos Gal Gadot e Patty Jenkins entregarem-nos um filme aliviantemente bom por fazer exatamente o que se torcia para o UEDC: Coerência e foco. O filme é basicamente Diana respondendo a Bruce Wayne a pergunta que ele fez em “Batman v Superman”: Qual é a sua história? E nessa premissa simples a película não apenas preenche lacunas, como também mostra que os excessos dos filmes anteriores poderiam ter sido evitados a todo custo. É claro que, embora melhor, o filme mantenha determinados vícios (câmera lenta, disparos para valorizar o 3D), mas são bem menos escandalosos. A cadência, coisa completamente ignorada até então, torna todos esses elementos parte do todo.

Uma cena em especial vale mencionar. Quando Diana chega ao front de batalha, ela conhece as famosas trincheiras, que faziam com que os soldados batalhassem ferozmente, mas não avançassem. Tudo o que estivesse acima das trincheiras era chamado pelas tropas de “Terra de Ninguém” (no inglês, “No Man’s Land”, ou seja, “Terra de Nenhum Homem”). Escandalizada ao ver pessoas morrendo de doenças e famílias inteiras sofrendo com a guerra, Diana sobe à Terra de Nenhum Homem e encara com suas armas sagradas as metralhadoras alemãs. Numa cena incrível, se vê poder emanando da Mulher Maravilha, com decisões simples que empolgam em minutos uma platéia já envolvida.

Se há um problema grande com o filme, não é o dos vilões (que são ferramentas da macro-história, coisa comum nos filmes da concorrência), e sim o fato de que agora há um padrão bem mais elevado a se esperar da DC Films. A pressão está no filme da Liga da Justiça.

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