Pantera Negra

O Reino de Wakanda já não era novidade no Universo Cinematográfico da Marvel. Sendo referenciado em “Vingadores: Era de Ultron” e apresentado de vez em “Capitão América: Guerra Civil”, a rica monarquia localizada no norte do Lago Turkana teve espaço no filme-título de seu regente, o Pantera Negra. Além de detalhar todo o aspecto político da misteriosa nação que se escondia do resto do mundo, também se conhece mais a respeito do passado do falecido Rei T’chaka (John Kani, com seu filho Atandwa Kani como o rei durante flashback). Wakanda se esconde do mundo para não ter suas riquezas e sua tecnologia vilipendiadas por outras nações, mas também não se furta em fazer política externa e espionar os passos das nações vizinhas. Nesse contexto, T’chaka envia aos EUA seu irmão N’Jobu (Sterling K. Brown). Com o aparecimento de traficantes de Vibrânio no mundo, T’chaka acaba acusando seu irmão de espionagem.

Anos depois, após os eventos de “Capitão América: Guerra Civil”, o Príncipe T’challa (Chadwick Boseman) retorna a sua nação para se submeter aos rituais de coroação. Embora ainda não fosse o Rei, T’challa já assumira o manto de Pantera Negra no lugar do seu pai. Na sucessão do trono, se permite que uma outra pessoa tente a coroa, num embate de igual para igual, inclusive suprimindo os poderes sobrehumanos do herói, proporcionados pelo extrato de uma planta nativa, e a retirada do traje de vibrânio que invulnerabiliza o Rei.

Nesse contexto, surge Erik “Killmonger” Stevens (Michael B. Jordan), o filho de N’Jobu que pretende vingar seu pai e tomar o trono de Wakanda. Originalmente chamado de N’Jadaka, Killmonger tornou-se um fuzileiro pelos EUA, com o intuito de aprender táticas de guerra. Ele entra em contato com Ulysses Klaue, o Garra Sônica (Andy Serkis) para localizar o reino secreto, além de buscar itens arqueológicos originários de lá que se perderam durante a colonização africana. Killmonger passa a ser um mestre do submundo, aproveitando suas habilidades bélicas.

Embora o roteiro seja basicamente uma disputa familiar de poder, “Pantera Negra” ganha pelos detalhes. Todo o universo de Wakanda é bem construído e fundamentado, misturando elementos de várias tribos existentes na África. Embora haja a ligação esperada de um filme da Marvel Studios, ela é rapidamente abandonada para se concentrar no que veio. Como o filme meio que cria um intervalo no grande roteiro da Casa das Idéias, todos os fatos que ligam o Pantera às Jóias do Infinito são breves citações. É refrescante ter esses momentos na narrativa. Além de introduzir novos elementos sutilmente, os personagens destes núcleos acabam enriquecendo bastante a experiência. No caso do Pantera, o elenco feminino inteiro de Wakanda traz mulheres fortes e interessantes, com destaque para Okoye (Danai Gurira), Shuri (Letitia Wright) e Nakia (a premiada Lupita Nyong’o), sendo respectivamente a honra, a mente e a humanidade que Wakanda e T’challa precisam. Sem exagero, o reino de Wakanda não é nada sem suas mulheres. A cena que Okoye fala, bem a contragosto, que tem o dever de defender o Trono, não importa qual pessoa esteja lá, mostra bem qual é o drama das Dora Milaje, a Guarda de Elite de Wakanda.

Empolgante do início ao fim, é um filme imperdível para todos. Seja quem está interessado em “Guerra Infinita”, seja para quem quer um bom filme de super-herói.

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