Pica-Pau: essa viagem é realmente necessária?

A Universal Pictures está lançando um filme do Pica-Pau. Na real, é um filme feito totalmente para o Brasil, porque lá fora o filme mal sairá para home video ou streaming. Isto mostra como somos vistos.

O filme é tão para o Brasil que a sua única ficha técnica é em português, incluindo o título. O diretor é Alex Zamm, de Um Heroi de Brinquedo 2 e O Fada do Dente 2. No elenco se destaca Thaila Ayala (o que é até legal pra ela, começando uma carreira em Hollywood).

Mas aí vem: por que este filme foi feito? Simples: somos o único país no mundo que exibe os desenhos do Pica-Pau ininterruptamente.

Historicamente, Pica-Pau foi um dos cartuns de cinema, e posteriormente tentou-se reanima-lo para a televisão (no que conhecemos como O Novo Pica-Pau). Todos os desenhos da época do bom e velho Woody Woodpecker estão na mesma situação lá fora, como Tom & Jerry, mas aqui ainda são parte vital das programações dos canais abertos.

Isto mostra como, estrategicamente falando, ainda somos reféns. Muito se critica programas medalhões como Domingão do Faustão e Fantástico, mas a verdade é que estes estão sempre se arriscando com quadros novos. O problema está onde não queremos ver.

Todo Mundo Odeia O Chris acabou faz tempo, e o protagonista nem gosta de ser lembrado pela série. As Visões da Raven já tem até continuação. Se eu vasculhar, acho Super Vicky, nem que seja na UHF. Vocês não sabem as pérolas que dá pra se encontrar na UHF!

O filme do Pica-Pau é um resultado dos executivos da Universal tentando, em vão, compreender o que acontece aqui. Temos canais que vivem de nostalgia, sensacionalismo e religião. Os horários que não são vendidos a igrejas ficam rendidos a merchans mal lidos, manchetes mal desenvolvidas e programas antigos. Diante da falta de inteligência média nos outros itens, o desenho do Pica-Pau acaba sendo até bem-vindo.

Mas esta situação não era realmente necessária em todos estes anos nesta indústria vital.

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