Salas escuras e luzes brilhantes

Ah, os anos 80! Essa fase tão bacana em que tantas coisas que hoje são consideradas cult e amadas por muito vieram a existir! Foram anos de renovação, de libertação e principalmente de inovação, e no meio dessa zona toda uma revolução começou a ser criada, uma pequena indústria que muitos disseram que não ia dar em nada, que seria algo marginal e que hoje fatura mais do que Hollywood, uma indústria que muitos disseram que seria apenas para alavancar as vendas de televisores e hoje está ganhando até mesmo lugar na Olimpíadas… Ainda não pegou a dica? Bom, eu estou falando dos videogames!

Hoje eu vou fazer algo um pouco diferente e, ao invés de falar sobre o assunto, eu vou deixar que os especialistas falem por mim e pra isso vou indicar 3 documentários excelentes, todos eles devidamente disponíveis na Netflix, é claro! Pra começar eu preciso falar de Atari:Game Over: Atari é sem dúvidas uma palavra marcante na vida de todo gamer nascido na década de 80, seja pelos seus Arcades, seja pela revolução com o Atari 2600 ou até uma lembrança mais emocional por ser o primeiro contato que muitos tiveram com um Vídeo Game. Eu mesmo me lembro do meu velho Atari com uma caixa de sapatos do lado, cheia de cartuchos clássicos, e todo domingo a família almoçava junto e passava a tarde jogando nosso Atari. Infelizmente hoje esse nome não passa de história e Atari: Game Over é o documentário que tenta mostrar o que aconteceu, escondido sob o pretexto de ser um documentário sobre encontrar os famosos cartuchos perdido de E.T. que dizem ter sido enterrados no deserto do Novo México, o documentário traz na verdade uma homenagem a essa empresa incrível e a Howard Warshaw, que hoje é apenas conhecido por criar E.T., “O pior jogo do mundo”, mas que na verdade era um brilhante game designer responsavel por Yar’s Revenge e Raiders of the Lost Ark. Contando com a presença de Nolan Bushnel, Howard Warshaw, Manny Gerard e até mesmo de Ernest Cline (um dos meus autores favoritos), o documentário honra o legado da Atari e de Howard de uma maneira que chega a ser até emocionante. É sem dúvidas um filme obrigatório pra todo mundo que já ouviu falar sobre a empresa ou sobre a famosa lenda dos cartuchos enterrados!

Mas apesar de apresentar um panorama muito interessante sobre a época, Atari:Game Over é sobre os consoles de mesa, e todo mundo sabe que os anos 80 são famosos não pelos seus consoles caseiros, mas sim por arcades, certo? Pois bem, nossos próximos documentários tratam exatamente disso, começando por Man vs Snake: The Long and Twisted Tale of Nibbler que é um documentário muito bacana sobre um jogo que até então eu desconhecia, Nibbler nada mais é do que a versão arcade do famoso “Jogo da Cobrinha”, febre nos celulares de antigamente. Nele conhecemos Tim Mcvey, o primeiro jogador no mundo a fazer mais de 1 Bilhão, sim com B, de pontos em um Arcade, Tim bateu esse recorde durante sua adolescência e manteve esse recorde por volta de 25 anos, mas então ele vê seu reinado ser ameaçado por Dwayne Richard, o Bad Boy dos Arcades que decide que é hora de colocar mais um recorde em sua coleção. Dwayne é conhecido por ter alguns outros recordes em sua carreira e por ser um exímio jogador, mas também é bem famoso por arrumar muita encrenca na vida. Junto com isso, Tim vê seu reinado ser assombrado por um recorde um pouco maior do que o seu que teria sido feito por Enrico Zanetti, um Italiano que teria batido seu recorde poucos anos após ele ser firmado. No entanto, o recorde de Enrico nunca chegou a ser reconhecido pelo Twin Galaxy, o grande Arcade que é o responsável por avaliar e manter o grande Leaderboard dos Arcades.

Tim então se vê obrigado a deixar sua “aposentadoria” dos Arcades de lado e voltar a jogar Nibbler 25 anos depois para manter seu reinado e mostrar para o mundo esse jogo que ele ama tanto e poucas pessoas conhecem. O documentário então acompanha esse cabo de guerra entre Tim e os demais jogadores para ver quem firma novamente o grande recorde e mantém seu reinado. O mais bacana é que Tim é o típico gordinho gente boa e meio que não tem como não torcer pra ele, e você consegue traçar vários paralelos da sua vida com a dele e isso faz com que você queira MUITO ver ele vencer… O documentário é nota 10!

Os Reis do Kong: Uma Disputa Acirrada é mais um (na verdade o primeiro, já que ele saiu antes de Man vs Snake) filme/documentário que narra a batalha de dois jogadores pelo recorde de um jogo, dessa vez temos o clássico Donkey Kong (sim, aquele em que o Mario aparece pela primeira vez, e era conhecido apenas como Jump Man). Desta vez temos como protagonistas Billy Mitchell, o jogador do Século, que tem dezenas de recordes em sua guarda e é uma autoridade quando o assunto são Arcades clássicos, e Steve Wiebe o desafiante que, jogando em sua garagem pretende destruir o recorde de Billy. Aqui, ao contrário de Man vs Snake, é um pouco mais difícil escolher um lado, e quando o cabo de guerra de recordes sendo quebrados começa, você até pende pra um lado ou para o outro, mas a verdade é que nesse documentário nós vemos claramente que nem tudo são flores nesse mundo das competições. Temos muita trapaça, muitos ataques e até mesmo aquele comportamento tóxico que todo mundo quer exterminar da comunidade. Infelizmente King of Kong não é um documentário tão feliz quanto Man vs Snake, mas ainda assim é muito bacana ver a história dos recordes de Arcades ser escrita, ainda mais porque nesse filme o foco no Twin Galaxy e na aceitação dos recordes por eles mantidos pelo Guinness World Records é feita pela primeira vez. Vale a pena assistir, mas se você estiver em dúvida entre ele e Man vs Snake, a segunda opção é mais interessante…

Eu não sei vocês, mas depois dessa overdose de Anos 80 eu só quero arrumar um Atari e jogar Enduro até travar a pontuação!

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