Thor: Ragnarok

Devo confessar: não estava esperando sair do cinema com um sorriso tão grande no rosto.

De todos os filmes do Universo Cinematográfico da Marvel, os protagonizados pelo Deus Nórdico do Trovão eram os que menos gostava. Minhas impressões do primeiro filme foram de que se tratava de um filme majestoso, porém comedido demais. Essa impressão aumentou demais com o lançamento de “Thor: O Mundo Sombrio”, cujo medo refreado em retratar uma divindade humanizada chegou em seu ponto mais baixo. Mas o ponto de virada veio com o lançamento de “Guardiões da Galáxia”: a Marvel Studios finalmente parou de se prender demais. O público procurava filmes que personagens fariam coisas fantásticas, sendo eles superseres ou humanos poderosos. Não queriam apenas personagens capazes de vencer vilões, mas que isso tivesse toda a espetacularidade e alma que conquistam as pessoas nos quadrinhos.

E por Asgard, como isso beneficiou o Filho de Odin.

Chris Hemsworth, que já tinha dito que estava cansado de fazer o Detentor do Mjolnir, está bem mais solto que qualquer uma das suas interpretações anteriores. Já havia um gostinho disso em “Vingadores: Era de Ultron”, mas nesta aqui o ator australiano parece se juntar a Tom Hiddleston entre aqueles que estavam curtindo trabalhar na Cinessérie. Hiddleston, por sinal, era um dos pontos mais interessantes nos filmes anteriores, e seu Loki está sedutoramente divertido na nova etapa. Idris Elba, com seu majestoso Heimdall, mais uma vez nos mostra por que é um dos melhores atores em atividade. Mark Ruffalo dá continuidade à trama de Bruce Banner após “Era de Ultron”, não ignorando o fio condutor do UCM e mostrando mais do que culminará em “Guerra Infinita” (com a voz de Lou Ferrigno para o Hulk, um presente aos fãs do Gigante Esmeralda), sem negligenciar a própria construção do personagem. E o elenco foi ainda reforçado com Jeff Goldblum fazendo um Grão-Mestre bem condizente com seus maneirismos, Tessa Thompson como Valquíria e Karl Urban irreconhecível no papel do Executor Skurge.

O destaque irrefutável da película vai para a Hela de Cate Blanchett. Hipnóticamente sedutora e vingativamente irresistível, Hela se torna páreo para Thor e Loki a cada momento que ela fica em Asgard. Blanchett transmite essa crescente desde sua primeira cena, com uma tenacidade incrível. A própria atriz mencionou em entrevistas que o fato da Deusa Nórdica da Morte quebrar o Mjolnir com as próprias mãos se tornou um chamariz tremendo para sua entrada na película, e é possível presumir que o mesmo efeito se deu a todos os que assistiram os trailers do filme. E sejamos francos, embora o Loki de Hiddleston tenha sido bom no primeiro filme (seguido pelo chato Malekith de Cristopher Eccleston, culpa do travamento demasiado de “O Mundo Sombrio”), é delicioso ver Hela tornar-se a vilã de fato mais perigosa que já se viu no Universo Cinematográfico da Marvel.

O Diretor Taika Waititi entrega, enfim, um filme recheado de entretenimento, sem se perder no caminho ou apelar para pirotecnia desnecessária. Trilha sonora, estética, toques de comédia (com direito a uma pequena provocação à Fox e sua usura relacionada às franquias compradas), tudo traz aquele que se tornou indiscutivelmente o melhor filme do Thor já feito. Com empolgação do início ao fim, é uma excelente e indispensável viagem com duas cenas pós-créditos que trazem mais da aproximação de Thanos e da Guerra Infinita.

 

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