Vertical Killed the Horizontal Star

O Instagram anunciou e lançou o IGTV, sua plataforma de vídeos em que o usuário assiste a canais e pode criar o seu. Mantendo a linha editorial, sempre com o conteúdo na vertical.

Claro que já existem as pessoas mais furiosas que decidem estabelecer seu marco como detratores do vídeo vertical, dizendo que ele pode matar o vídeo horizontal. Por outro lado, existem as pessoas que criticam iniciativas que dependem dos vídeos horizontais, declarando que “o futuro é vertical”.

Obviamente, ambos estão errados.

Se formos analisar historicamente, vivemos cerca de cinquenta anos com dois formatos distintos de vídeo: o horizontal retangular, presente no cinema, e o quadrado, das transmissões de televisão. Em verdade, vos digo que a televisão por muito tempo teve de aprender a adaptar o que era produzido em horizontal (não só filmes, como também séries) para o quadrado que tínhamos. Agora, cada vez mais, cinema e televisão se equiparam em dimensões.

O vídeo vertical é um resultado claro e natural da popularização dos smartphones. Ignorar esta popularização é inevitável, e também ignorar o fato de que a imensa maioria das pessoas utiliza estes aparelhos na vertical é insensato. Portanto, quando chegou o momento de consumir e até mesmo gerar conteúdo, nada mais natural que manter a questão ergonômica, e temos os vídeos na vertical.

O IGTV vai matar o YouTube? Duvido, visto que a divisão da Google já lançou seu espaço para vídeos verticais. Mas a nova iniciativa dá, sim, espaço a eles, e entendemos isso como uma abertura de espaço.

Sim, abertura. Se olharmos tudo, sempre houve o “X matará Y”. A internet não matou o livro, a TV não matou o rádio, o Jornal não matou as tradições orais. Na verdade, é preciso compreender que, quando se trata de comunicação e tecnologia, os dois andam lado a lado, em uma relação simbiótica e altamente evolutiva. Com as máquinas de impressão pudemos ter jornais em todas as casas. Com a internet podemos ter eventos ao vivo cada vez mais precisos. E, com a coexistência de vídeos verticais e horizontais, temos mais possibilidades.

Lembram do Snapchat? Conheço gente que assinava determinados canais/seguia determinados usuários porque recebiam notícias de um foco específico, e nisso compreendemos que, sim, vídeos verticais podem ser interessantes para opiniões e notícias. Para quê eu preciso de todo um cenário cheio de badulaques para dar uma opinião? Para dizer que sou “nerd-entendedor de cultura pop”? E, no que tange notícias, um vídeo mais direto, falando a notícia, pode ser interessante e, caso precisemos de gráficos, eles podem aparecer de forma simplificada, o que se revela um interessantíssimo desafio de design.

Os vídeos horizontais ainda existem. Muitas histórias dramatúrgicas, como filmes e séries, ainda precisam de todo o espaço horizontal, para apresentar personagens e cenários. Além disso, considerando a quantidade de informação que a televisão quer nos apresentar a todo momento, não vejo problema nenhum nela continuando horizontal, com um canal de comunicação resumido na vertical.

Com isso, quando falamos de comunicação e tecnologia, e como eles se entendem, quanto mais compreendermos e procurarmos explorar as relações, mais temos a aprender, mais desafios teremos a superar e, mais e mais, as pessoas poderão se entender.

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